Empresa de base tecnológica investe na aproximação entre ciência, mercado e instituições de fomento
Fundada em 2017 por jovens pesquisadores, a MAGTECH Soluções em Nanopartículas Magnéticas Ltda. nasceu com o objetivo de transformar conhecimento científico em soluções tecnológicas com potencial de aplicação no mercado e impacto na sociedade.
Nesse processo, o apoio de instituições de fomento tem sido fundamental para o desenvolvimento de projetos e para o fortalecimento da estrutura da empresa. Entre essas iniciativas, destaca-se a atuação da FAPERJ, que vem ampliando o incentivo a projetos de inovação desenvolvidos em parceria com empresas.
Em 2019, a MAGTECH foi contemplada pelo Edital FAPERJ nº 06/2019 – Programa Apoio à Inserção de Pesquisadores em Empresas, com o projeto “Engenharia reversa de um marcador nanoestruturado magnético-fluorescente com potencial para rastreamento de células-tronco e teranóstico tumoral”.
O projeto contribuiu para a inserção de profissionais especializados na empresa e fortaleceu sua estrutura técnica, além de promover a interação com pesquisadores da UFRJ e da UFF.
A iniciativa também teve desdobramentos científicos. Em 2024, foi publicado na revista Colloids and Surfaces A, da Elsevier, o artigo “Development of polymeric nanoparticles associated with SPION and curcumin: a versatile magnetic and fluorescent platform for Life Science applications”. O estudo apresenta o potencial de nanopartículas magnéticas e fluorescentes para aplicações nas Ciências da Vida.
O resultado reforça a importância da integração entre fomento à pesquisa, formação de profissionais e desenvolvimento tecnológico para transformar projetos científicos em soluções com potencial de aplicação.
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A aproximação entre universidades e empresas é um dos principais caminhos para transformar conhecimento científico em inovação. No Brasil, esse movimento ganhou novos instrumentos com o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, estabelecido pela Lei nº 10.973/2004 e atualizado pelas Leis nº 13.243/2016 e nº 9.283/2018.
A trajetória da MAGTECH está diretamente ligada ao ambiente acadêmico. Antes da criação da empresa, seus fundadores já atuavam com pesquisa científica. Em 2016, participaram de um curso de Iniciação Empresarial promovido pela Incubadora de Empresas da COPPE/UFRJ, iniciativa que contribuiu para a estruturação do negócio. Em 2017, a empresa foi oficialmente registrada.
A MAGTECH já mantinha interação com o Laboratório de Nanotecnologia Biofuncional da Faculdade de Farmácia da UFRJ (LabNanoBiof-UFRJ). A regulamentação do Marco Legal da Inovação, entretanto, abriu espaço para a formalização da cooperação e do compartilhamento de infraestrutura.
O processo foi iniciado em 2018 e enfrentou desafios administrativos, além das interrupções provocadas pela pandemia de COVID-19. Em 2022, a reestruturação da Agência UFRJ de Inovação, que passou a se chamar InovaUFRJ, trouxe mudanças nos procedimentos e simplificou a tramitação para o compartilhamento de laboratórios.
Em 2023, a MAGTECH iniciou um novo processo seguindo o modelo simplificado. A cooperação foi concluída em aproximadamente quatro meses, após parecer favorável da Advocacia-Geral da União e publicação no Diário Oficial da União.
A parceria resultou na celebração do Termo de Permissão de Uso do Laboratório, fortalecendo a relação entre a MAGTECH e o LabNanoBiof-UFRJ.
A cooperação também abriu novas oportunidades de desenvolvimento. Entre os resultados está a aproximação com a Ambev, que possui um Centro de Inovação e Tecnologia no Parque Tecnológico da UFRJ. A parceria resultou, inclusive, em um contrato direto entre o laboratório da universidade e a empresa.
O caso demonstra, na prática, como a aproximação entre universidade, empresas e instituições de inovação pode contribuir para o desenvolvimento e a transferência de tecnologia.
Experiência reforça a importância da criatividade, capacidade técnica e adaptação em projetos de pesquisa e desenvolvimento
Projetos de pesquisa e desenvolvimento exigem conhecimento técnico, mas também capacidade de adaptação diante dos desafios que surgem ao longo do processo. Foi nesse contexto que a MAGTECH desenvolveu um projeto de alta complexidade tecnológica em parceria com a Ambev.
Para Carlos Freitas, Radical & Disruptive Innovation Specialist na Ambev, a experiência foi marcada pela atuação colaborativa da equipe da MAGTECH, desde a discussão das ideias iniciais até a execução dos experimentos.
Segundo Freitas, um dos diferenciais foi a capacidade da equipe de apresentar diferentes perspectivas e caminhos para investigação, contribuindo para ampliar as possibilidades do projeto.
Outro ponto destacado foi a preocupação com a qualidade dos ensaios e dos resultados. Em projetos de P&D, cada experimento pode gerar informações importantes para orientar as etapas seguintes, tornando a análise dos resultados parte fundamental do processo de inovação.
A capacidade de adaptação também foi considerada um diferencial. Diante de um projeto de alta complexidade, mudanças no planejamento podem ser necessárias ao longo do desenvolvimento. Para Freitas, a equipe da MAGTECH demonstrou resiliência e disposição para ajustar as estratégias em busca dos melhores resultados.
A rede de parceiros da empresa também contribuiu para a execução do projeto. A atuação conjunta de diferentes especialistas e instituições permitiu reunir competências complementares e estruturar uma abordagem colaborativa de pesquisa e desenvolvimento.
“O time da Magtech é um ótimo parceiro para a execução de projetos de P&D, tendo em vista todos os pontos anteriormente citados: um time engajado, comprometido, com interesse genuíno de entrega de projetos que possam alcançar o mercado.”
A experiência com a Ambev reforça o papel da MAGTECH na conexão entre pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e demandas do setor produtivo, criando oportunidades para que novas tecnologias avancem em direção ao mercado.
MAGTECH e Rheabiotech desenvolvem projeto voltado à detecção do câncer de pulmão a partir de marcadores séricos e nanotecnologia
A busca por métodos cada vez mais eficientes para a identificação e o acompanhamento do câncer tem impulsionado pesquisas que combinam biotecnologia, medicina de precisão e nanotecnologia. Entre essas estratégias estão os biomarcadores séricos, proteínas presentes no sangue que podem apresentar alterações associadas a determinadas condições de saúde.
Esses marcadores podem contribuir para diferentes etapas do cuidado oncológico, desde a avaliação de risco e o diagnóstico até o acompanhamento da evolução da doença e da resposta ao tratamento.
Alguns exemplos já fazem parte da prática médica. O PSA, por exemplo, é utilizado na avaliação do risco relacionado ao câncer de próstata, enquanto o CA-125 pode auxiliar no acompanhamento de pacientes com câncer de ovário. Já o HER-2 possui papel importante na medicina de precisão, ajudando a identificar pacientes que podem se beneficiar de determinados tratamentos.
Apesar do potencial, a utilização de um único marcador nem sempre é suficiente para oferecer uma avaliação completa. As características dos diferentes tumores e as variações de sensibilidade e especificidade dos marcadores fazem com que a combinação de diferentes indicadores seja uma alternativa importante para ampliar a capacidade dos testes.
Nanotecnologia aplicada ao diagnóstico
É nesse cenário que a MAGTECH Brasil e a Rheabiotech Ltda. uniram esforços para desenvolver uma nova abordagem para a detecção do câncer de pulmão.
Com apoio da linha de financiamento INOVA GRAFENO, do CNPq, o projeto investiga o desenvolvimento de um kit baseado em marcadores séricos associados a quantum dots de carbono, estruturas nanométricas com propriedades que podem ser exploradas em aplicações biotecnológicas.
A proposta combina as propriedades físicas das nanopartículas com a capacidade de reconhecimento molecular dos anticorpos, buscando desenvolver uma ferramenta que possa complementar as estratégias existentes para a identificação da doença.
O projeto reúne profissionais com formação nas áreas de imunologia, engenharia química e biologia molecular, integrando diferentes competências para enfrentar um dos principais desafios da pesquisa em oncologia: desenvolver métodos de detecção cada vez mais eficientes e acessíveis.
Ciência aplicada à saúde
O desenvolvimento de novas ferramentas para diagnóstico representa um dos caminhos pelos quais a pesquisa científica pode se transformar em soluções de impacto para a sociedade.
A iniciativa da MAGTECH e da Rheabiotech demonstra justamente essa conexão entre pesquisa acadêmica, nanotecnologia e desenvolvimento de produtos para a área da saúde, fortalecendo a capacidade nacional de inovação em biotecnologia.
O tema foi originalmente abordado em artigo publicado no LinkedIn por Eduardo Peroni, com autoria da pesquisadora Prianda Laborda, em abril de 2025. A publicação apresenta uma discussão mais aprofundada sobre a importância dos biomarcadores séricos no combate ao câncer e sobre o projeto desenvolvido pelas duas empresas.
Leia a matéria completa no LinkedIn: Relevância de marcadores séricos no combate ao câncer